Não. Eu não me equivoquei. Não tinha como intensão
utilizar o termo “Amor por conveniência”. Apesar de muito parecidas, as
expressões possuem entre si um verdadeiro abismo de diferenças. Quando falamos
em amor por conveniência trata-se do interesse no retorno e benefício
financeiro. Não é esse o caso. Falo exatamente sobre um amor por convivência.
Em mais um de meus devaneios amorosos possibilitei ao meu coração conhecer e
manifestar o seu desejo por um outro alguém. Não que fosse o amor da minha
vida, mas uma ocupação, que fizesse com que finalmente saia de mim um amor
passado.
Dia desses conheci uma pessoa, já havíamos tido contato
outras vezes, mas naquele momento era como se fosse a primeira vez que nos
víamos. A timidez de pessoas que há pouco se conhecem nos fez relativamente
afastados. Na medida em que foi acontecendo uma aproximação, pude vê-la melhor,
com um outro aspecto. Fomos criando uma amizade, e nossos desejos não passavam
deste campo. Mas fui encontrando nela uma beleza que eu nunca havia visto. Em
seu riso via um fascinante estado de alegria que me fazia rir também. E em seus
olhos meu reflexo parecia mais feliz.
Nos tornamos amigos mais próximos, mantive minha
admirações e desejos, porém , nunca as expus. Passei então, a analisar essa
relação entre nossa convivência e meus sentimentos. Percebi que na mesma
proporção em que ficávamos juntos, se tornava mais intenso meu desejo. Quando
não nos víamos a falta que me fazia, era a mesma da que provoca a ausência de
um amigo. De um modo complexo, eu naturalmente me aproximei e me interessei por
uma mulher, para que também de modo natural, eu esquecesse fragmentos de uma
antigo amor que insistiam em continuar me machucando. E amor não houve nesse
caso. Foi somente a convivência. Tornei nossa amizade uma fantasia, confundi as
relações. Mas me fortaleci, e hoje, passado pouco tempo, eu penso e raciocino.
Caminho rumo a cura para o amor. Rumo a uma vida só minha, sem dor e decepções.
