domingo, 4 de novembro de 2012

Burgueses Engomados: Criaturas d'um Novo Mundo


   Eles vão e vem. Nas faixas de pedestres e passeios. Com seus crachás balançando caminham em todas as direções. Passam esnobes pelas catracas. Carregam suas bandejas com pose de miss. Parecem querer lhe arrancar as vísceras, seus olhos lhe fitam de cima a baixo. Sentindo-se microscópico você se deixa moldar pelo medo de ser julgado, vira a marionete perfeita daquilo que esperam que seja. Passa a andar em ritmo diminuto, verifica e controla suas pernas para que se movimentem aparentemente “normais”. Tenta ser um clone numa terra de completos estranhos.
   Seus olhos acompanham qualquer movimento, é proibido perder o mais insignificante virar de páginas. Seus ouvidos se esforçam para ouvir os mais quietos murmúrios. Somos as pequenas crianças fascinadas na fantástica e mágica fábrica de chocolates. Tudo é tão diferente, é tão contagiante quanto uma nuvem radioativa. Te infecta instantaneamente, você fala de outra forma, senta tão duro e reto que mais parece ter uma estaca no lugar da coluna. Finge entender tudo na primeira vez, e aos poucos, disfarçadamente, vai fazendo a mesma pergunta 1.352.987 vezes.
   Como Alice caindo no buraco imenso, você aparentemente está em outro mundo. Ainda consigo me aprofundar em contos e histórias. Seus tênis de caminhada se transformaram em lustrosos e horrendos sapatos de couro. Suas bermudas de academia deram lugar às mais discretas calças jeans, com aqueles cortes sociais, presa a seu corpo por uma incômoda cinta de couro combinando com o sapato. As camisetas do time de vôlei cederam espaço no armário para camisas sociais dos mais variados tons. E no fim, você vê que toda a magia envolvida não passa do tempo, outra época da sua vida, o mais definitivo e estampado “Adeus!” à infância, e você cresceu e está trabalhando. Isso parece incrível, mas é das mais comuns e depressivas mudanças da sua vida.
   Você vê que a meia noite chegou para você, e que é hora de acordar da sua vidinha dos sonhos. Entrar na nova realidade leva um tempo, para que o fascínio se transforme em rotina leva tempo. Em meio a essas mudanças, agradeço por não estar passando por isso sozinho. Sei que isso acarretará muitas outras coisas, positivas e não. Mas estou pronto para crescer em todos os aspectos, e espero encontrar o mais harmonioso equilíbrio para a minha vida.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Medos


Queremos todos escondê-los, mas são eles que nos tornam quem somos. Sentimos medo até mesmo para aceitar que os temos. Fingimos que nada nos amedronta para esconder nossas supostas fraquezas, achamos mais interessantes passar a imagem de fortes. Cá pra nós, temos que confessar que medo cada um tem o seu e todos têm alguns. São eles que influenciam nossas escolhas, nos fazem pensar e gostar de diferentes coisas. Moldam nossa vida de modo que nos sintamos seguros, envoltos em uma monotonia protetora, que não nos permite grandes sustos ou mudanças.


É muito revelador, fala muito sobre mim. Mas ao mesmo tempo torna tudo muito confuso. Meus medos pairam por uma área ilimitada de campos e significados. Vão de medos bobos, à outros que viram minha cabeça do avesso. Temo coisas infantis, como a escuridão e tudo que nela cabe, os sons e mistérios vistos sem os olhos, criados pelo cérebro que parece brincar com a situação. Entro em pânico ao ver aranhas, isso vem de família, mas é algo muito forte que me impede de agir, congela-me e apenas me permite afastar-me. São medos comuns, tidos por muitas pessoas, mas que para cada uma delas representa algo diferente e único.
Alguns medos vão além, perturbam-me a todo o momento, causam exaustão psicológica e bagunçam meus pensamentos. Deixa-me deprimido, sofrendo e com uma profunda tristeza, imaginar minha vida sem aqueles que amo. Perdê-los seria algo desconcertante, perderia o chão. Essa ideia me faz perceber o quão impotente sou em relação ao passar do tempo. O futuro incerto, sem programação e cheio de possibilidades me faz temer que cada dia seja o último. Essa incerteza constante me leva ao mais definitivo dos medos.



Não quero um dia, quando já velho, olhar para trás e perceber que vivi uma vida vazia. Temo linhas em branco no meio de uma história chata e entediante. Gostaria de desfrutar das mais intensas sensações. Fazer as coisas mais idiotas e ser feliz de maneira única. Quero olhar para tudo que vivi e ver que quando criança já comi terra, que já quebrei o braço subindo muros. Quero ter caído no meio de festas, que todo mundo tenha rido de mim por algo embaraçoso. Quero ter tido um amor de verão, ter dormido com alguém que não conhecia. Quero ser levantado da calçada por um amigo quando a bebida amolecer minhas pernas. Saber que fui a brinquedos radicais, e que adulto, brinquei de balanço. Quero ter um minuto que seja de briga, quebrar copos por raiva, andar na chuva só com meus pensamentos. Quero ter levado uma vida fora do normal, que todas as curvas que fiz tenham me levado a um bom destino. Quero ter amigos para encontrar e relembrar estas histórias. Espero morrer como quem soube viver, que criou seus filhos, cuidou dos netos, e que, mesmo fora de qualquer padrão, fez o que todo mundo faz.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Estar crescendo


Sinto-me tão patético falando em crescer. Um adolescente querendo se colocar como maduro. Mas é a realidade que eu não esperava viver cedo assim. Em questão de um mês vi minha vida mudar muito. Durante as tardes que eu costumava comer pipoca e outras besteiras enquanto assistia à Sessão da Tarde, hoje, trabalho. Não que seja um trabalho escravo, como eu devo descrevê-lo em minhas conversas, mas é uma ocupação, um compromisso e, mais tarefas. Enquanto milhares de pessoas trabalham a cerca de vinte anos, eu me vanglorio por estar há longas quatro semanas no meu emprego.
Vejo-me tão mais importante nas conversas que tenho. Acreditem vocês que até mesmo depósitos e, outros serviços de banco eu aprendi a fazer. Agora sei como se manda algo pelo correio. Enfim, muitas coisas novas, acabei fazendo. Mas principalmente, aprendi a lidar com pessoas. Estou gradualmente superando a timidez que me impedia de opinar. Sei como interagir num grupo de novas pessoas, aprendo com elas. Aprendi a tomar a iniciativa, não se pode esperar que em toda situação alguém venha lhe ajudar, explicar como se deve fazer cada coisa, o modo certo de fazer algo, só a experiência te ensina.
Dia desses, me pediram para que eu fosse ao banco fazer pagamentos e depósitos. Percebi então que a pessoa toda moderna que eu me julgava ser, era na verdade um dos maiores colonos, com todo o respeito. Minhas dificuldades começaram na entrada, não sabia para onde ir. Descobri que os pagamentos deveriam ser feitos no andar superior. Subi na certeza de que dali em diante seria moleza. Porém, nem mesmo a senha eu consegui tirar sozinho, foi preciso que um guarda praticamente desenhasse o método para eu entender que o monitor era de touchscreen. Agora só faltava saber em qual tipo de caixa eu deveria esperar a minha vez, optei por aquele no qual havia um conhecido sentado. Tudo corria bem até que as senhas da série C (assim como a minha) pulassem para a série P, e lá fui eu tirar satisfações. Para fechar a tarde, na saída troquei de porta, e simplesmente fiquei forçando o vidro da agência.
Nesse prazo de um mês também me decepcionei. Descobri que a perfeita garota que eu amava, na verdade era aproximadamente uma “Mulher da Vida”. Enfim, eram tantos amantes quanto sua energia pudesse aguentar. Alguns amigos da mesma forma não atingiram minhas expectativas. Mas no fim acabei rindo de toda a palhaçada que aconteceu. Durante um recreio essa garota da qual eu gostava veio pedindo que eu lhe enviasse as fotos que supostamente havia tirado dela com um de seus amantes, essa suspeita foi fomentada por uma amiga que poucos dias depois estava me mandando beijos no Facebook. Agora vejam bem, minha vida corrida desse jeito e a pessoa acha que eu ainda tenho tempo para cuidar da vida chula dela. E cá entre nós, com três ou quatro ao mesmo tempo, alguém haveria de comentar.
Comecei a desfrutar das coisas que o dinheiro proporciona. De leve sinto a gosto da autossuficiência financeira. Pude comprar as primeiras coisas com o meu dinheiro. Vi também que o valor que antes eu achava extraordinário, nem é tanto assim. Reservei-me o direito de investir em mim, física e espiritualmente. E quem diria, já estou a busca de um novo emprego, não que esteja descontente com minha situação atual, mas este novo emprego veio atrás de mim. E caso eu consiga, o que eu torço muito para que aconteça, tudo isso que acabei de escrever se acentua. Será tudo mais intenso, com maiores frutos e aprendizagens. Mas nesse um mês, o que eu aprendi e melhorei me faz ter a certeza de que estou pronto para qualquer coisa.
De fato, como diziam as amigas da minha mãe, “Nossa! Eu cresci”. E com apenas quinze anos acredito que acumulei uma imensa bagagem. Sei que penso diferente e a frente de meus amigos, mas é isso que me torna eu. Tenho a seriedade de um adulto e a espontaneidade de um garotinho. Tenho meus conhecimentos e solto pérolas sem cabimento. Aprendi que um amor só é eterno enquanto você o guardar. Decepções te mostram toda a verdade que você já sabia. Decidi que a minha vida segue sozinha por trilhos que ainda não sei aonde vão me levar, mas vou ir, até aqui nada deu errado, e caso dê é possível voltar. E a vida é isso, reviravolta, altos e baixos, tudo são fases nada é para sempre. Só me interessa aquilo que eu penso, e o resto que se exploda.

terça-feira, 24 de julho de 2012

O que resta de ser fácil



      Por muito tempo idealizei um amor. Sonhei com o dia no qual eu estaria ao lado da pessoa que eu tanto amava. Passar tanto tempo ao lado dessa pessoa me tornou obcecado por ela. Assim como a fixação de um cão que deseja o graveto na mão do amigo, eu queria aquilo que já tinha dono. Mas nessa comparação porca, o que interessa é o fim. O cão sempre larga o graveto, pois já não é mais novidade, ele conseguiu o que queria. Já está de bom de tamanho. Basta. Perdeu a graça.
      Após certo tempo de insistência, consegui o que eu queria. Confesso que com certa facilidade. Não foi nenhum romance. Apenas beijos no elevador e, salas vazias. Era muito boa a química, mas, quando eu vi, não havia mais nada daquele amor. Foi simplesmente como se eu não a conhecesse. Tudo o que eu sentia, o que eu pensava, e a imagem que eu tinha dela, não estavam mais presentes. Eu tinha apenas o meu brinquedo.
      Assustei-me quando vi o que estava acontecendo. Eu estava simplesmente interessado em um corpo. Não que isso não fosse bom, mas era um corpo vazio. Na verdade, dois corpos vazios de sentimentos. Era apenas o desejo de não estar sozinho. Mas mesmo assim eu não estava com ninguém.
      Quando forçado por outras pessoas me pus a pensar, não me reconheci. Fizeram-me entender de que me rebaixei a outro. Agradei-me com o segundo lugar. Eu não era o original, eu era o pirata. O ilegal. Após uma curta e relaxada reflexão, decidi que eu era melhor que isso. Simplesmente parei.
      OK! Nenhum problema... Ainda. Nada diferente aconteceu, a mesmice continuou tomando conta de meus dias até que... Se achando muito importante, a pessoa antes mencionada, aquela que eu amava, vem com uma linda conversa de que eu a estava filmando com um novo amante. O que eu achei muito legal. Quando você fica sozinho, alguma forma de ir atrás de alguém você tem que arranjar. Mas confesso que isso foi apelo.
      Agora, fazendo algo muito chato, e já pedindo desculpas às pouquíssimas pessoas que leem este blog, um pequeno recado aos que se acham muito especiais. O mundo gira, os carros andam, não é possível parar o tempo, atrasar o relógio só vai te fazer deixar de ver o futuro se aproximar. A fila anda. Os amores, ao contrário dos contos de fada, não duram para sempre. Assim como as próprias pessoas não são para sempre, a menos que seja amor. Não espere que o mundo gire em torno de você, não exija que as pessoas lhe procurem. Porque, qualquer um, ao conseguir o que quer, vai te deixar novamente. Apenas fica aquilo que as pessoas falam de você. O peso que seu nome vai carregar pode ficar de mais para você aguentar. Mude, pois depois de usada, você não tem valor algum. E apenas sobrará você... sem amigos, companheiros, ou quaisquer outras pessoas, apenas você cumprindo a pena imposta pela sua condenação for ser fácil.


domingo, 6 de maio de 2012

Só mais um primeiro beijo


    Cá estou eu, durante uma noite gelada, uma caneta na mão, o café na cômoda, você na cabeça e um sentimento no coração. Me isolo do resto das pessoas que vivem nesta casa, nos fones a melodia romântica e melancólica do jazz. Ah sim! Já ia perdendo o foco, estava esquecendo o que queria registrar em escritos, meus pensamentos. Dia desses me peguei te olhando e desejando-te novamente, pensei então que era hora de refletir o que acontecia, coisa que fiz durante muitas horas de vários dias. Analisei cada momento em que estivemos juntos e cada sensação sentida.
    Mesmo após todo esse tempo de convivência única e somente amigável, me lembro de tudo que vivemos. Há muito tempo que “oficialmente” não temos relacionamentos amorosos, mas quem ousaria dizer que estamos separados? Uma vez que passamos cada dia dos últimos quatro anos juntos. Já pensou que não conseguimos ficar longe um do outro? Sempre acabamos causando uma aproximação que nos envolve em uma amizade colorida que existe unicamente entre nós. Quem além de nós dois de fato sabe o que sentimos? Se é que nós sabemos. Nunca vi duas pessoas, garoto e garota, ex-namorados desfrutarem de uma relação como a nossa. Aliás, que relação é essa?
    Acordo todos os dias na ansiedade de ver-te. Passo o dia ao teu lado, te fazendo sorrir, acariciando-te, arrepiando teu corpo inteiro com sopros ou toques na nuca. O encontro de nossos olhos é inevitável, até mesmo porque a distância que separa nossos lábios é desconcertante. Sussurrar coisas no teu ouvido, e passar a manhã sendo incomodado por tuas besteiras me deixa mais feliz. Me faz lembrar que eu esqueci de te dizer algo muito importante, eu estou te namorando.
    Mas nem tudo é alegria, dói meu coração quanto te ouço dizer que gosta de outro homem, que outra pessoa te faz sofrer. Sei que você percebe que estou triste quando me calo em total silêncio, nestes momentos apenas quero teu abraço, sem palavras, só você. Confesso que já não consigo acreditar mais na sua preocupação em manter dito que somos apenas amigos, de fatos não namoramos,mas não tenho a hipocrisia de dizer que entre nós existe somente amizade. E não me cabe a humildade de dizer que não sou o homem certo e, que não sou eu quem você ama.
    É a mim que você procura quando tem algum problema, é em meus ombros que você chora, nos meus braços é onde você encontra conforto, minhas palavras são as que te acalmam. Por isso, e muitas outras coisas que vivemos, me arrisco a dizer que você ainda me ama, pense bem. Eu te faço rir e chorar, te conheço melhor que qualquer pessoa, e me preocupo com você mais do que comigo mesmo. Muitas foram as vezes que nos declaramos um ao outro, pena que tenhamos nos prendido as palavras, por isso te peço, se algum dia perceber que ainda me quer, nada diga, somente aproxime-se e me beije, pois nunca te esquecerei, e sei que nuca terás um motivo para desconfiar do meu amor. Só lhe peço mais um beijo, como se fosse o primeiro, e vejamos as consequências, não há no que pensar, é questão de querer ver que todos aqueles planos que fizemos são cabíveis, basta termos vontade de vivê-los e sermos felizes.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Um amor é para sempre


    Durante muito tempo você amou uma pessoa, isso o fez sofrer, lhe deixou confuso. Você apenas pensava nela, somente queria estar ao lado dela, sonhava com ela, você estava viciado nesta pessoa. Mas houve um momento no qual isso já não lhe afetava mais, você havia esquecido tudo o que sofreu. Passa então a pensar que conseguirá ser feliz, não vai lembrar dela, você vence todo dia ao perceber que não a quis. Quando de repente põem em risco todo o seu esforço, todo esse tempo afastando de si mesmo seus sentimentos e vontades. Você percebe que sentiu ciúmes quando ela veio lhe falar de seu novo amor, e isso nada tem a ver com a sua aproximação repentina ou com suas brincadeiras.
    Imediatamente você começa a sofrer novamente, ao mesmo tempo em que desempenha o papel de amigo psicólogo. Você passa a ajudá-la com seus problemas amorosos, quando justamente, ela é seu problema amoroso. Suas conversas são mais intensas, cheia de emoção e contato, ela vai chorar para você, enquanto tenta fazê-la se decidir, optar por ser feliz com outro homem. A tristeza nos olhos dela vai te fazer querer chorar, você vai desejar tomá-la em seus braços, abraçá-la com todas as suas forças, não vai pensar em largar, vai desejar ela sempre colada em seu corpo.
    E naturalmente vocês vão aproximando-se, seu contato vai aumentar, passarão a brincar mais, serão muitos os risos compartilhados. Tudo vai acontecer de forma muito natural, seus olhos vão se cruzar a todo momento, vocês vão querer se tocar a tempo todo, seus corpos vão se atrair mutuamente. As carícias serão frequentes e intensas. Até que ela venha dotada de muita frieza e peça se você não está confundindo as coisas, lógico que a resposta será não.
    E realmente não é isso. Você não está confundindo sua relação. O fato é que tudo aquilo que vocês viveram sempre esteve muito vivo em você, pois você nunca parou de pensar nela, aquelas paixões eram invenções da sua cabeça para ocupar seu coração, mesmo que você quisesse acreditar, era ela que aparecia em seus sonhos todas as noites. E isso não mudará tão cedo, ao menos não enquanto vocês se virem todos os dias, somente a distância pode reprimir o amor que arde em seu coração toda vez que a avista. Ela se tornou uma doença, mas você não quer a cura, insiste em te-la por perto, para que de alguma forma, sempre tenha seu amor do seu lado.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Confundindo Relações


    Sabe quando seus pensamentos parecem querer sair da sua cabeça? Seus sentimentos precisam ser expostos, você precisa falar com alguém, falar para alguém. O que mais acontece envolve os seus sentimentos, eles parecem grandes demais para ficarem guardados no peito, ou eles escorrem pelos olhos, ou você conta para alguém. Certamente você irá procurar um amigo, um não, vários. E aí os conselhos começam a se misturar, você não sabe o que fazer, então, surta. Você se prende a tristeza, só ouve músicas melancólicas, e passa horas pensando em que falar e, se falar.
    Talvez você consiga viver com isso guardado para si mesmo. Ou, fale com a pessoa que você ama, conta tudo, porém, sem citar o nome de quem te faz chorar. Você começa a escrever frases apaixonadas no Facebook, esperando que a pessoa perceba que é tudo sobre ela. A situação piora se vocês forem amigos, e você não quiser perder a amada de nenhuma forma. Pressionado pelos seus amigos, você resolve falar a verdade, contar que você a ama. Mas lhe falta coragem, falar pessoalmente é impossível, o jeito é mandar uma mensagem, de preferência offline, esperar uma resposta, e evitar encontrá-la tão cedo.
    O seu medo não está em falar, você teme a resposta, a reação. Assusta a possibilidade de você ter se enganado, ter interpretado mal todos os olhares e sorrisos, que pareciam tão apaixonados. Passou pela sua cabeça que a relação entre vocês ia além do aspecto comum da amizade, mas não era isso. Para ela é apenas uma amizade comum, para você uma ligação especial, uma presença que te deixa mais feliz.
    No meio de todas as pessoas com as quais você convive diariamente, seu coração gostou de um modo especial desta pessoa, ela não é uma pessoa qualquer. Ouvir a sua voz é prazeroso, fazer aquelas brincadeirinhas é diferente. Mas você já não sabe se fez certo em contar, você sabe que sua relação irá mudar, caso ela sinta o mesmo haverá uma relação muito feliz, já se ela não compartilhar deste sentimento, vocês não vão querer se ver tão cedo. E isso de fato vai acontecer, caso você passar ao lado dela na rua, você vai abaixar a cabeça e vai continuar andando quieto, vão diminuir os pessoas para não encontrá-la no caminho para a escola. Mas vai chegar um momento no qual vocês terão que se encontrar, terão que esquecer o que foi dito e voltar a ter uma relação amigável, pois não dá para levar essa situação delicada por muito tempo, a vida segue e episódios como esses não podem mudar seu trajeto.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Amor por convivência


            Não. Eu não me equivoquei. Não tinha como intensão utilizar o termo “Amor por conveniência”. Apesar de muito parecidas, as expressões possuem entre si um verdadeiro abismo de diferenças. Quando falamos em amor por conveniência trata-se do interesse no retorno e benefício financeiro. Não é esse o caso. Falo exatamente sobre um amor por convivência. Em mais um de meus devaneios amorosos possibilitei ao meu coração conhecer e manifestar o seu desejo por um outro alguém. Não que fosse o amor da minha vida, mas uma ocupação, que fizesse com que finalmente saia de mim um amor passado.
            Dia desses conheci uma pessoa, já havíamos tido contato outras vezes, mas naquele momento era como se fosse a primeira vez que nos víamos. A timidez de pessoas que há pouco se conhecem nos fez relativamente afastados. Na medida em que foi acontecendo uma aproximação, pude vê-la melhor, com um outro aspecto. Fomos criando uma amizade, e nossos desejos não passavam deste campo. Mas fui encontrando nela uma beleza que eu nunca havia visto. Em seu riso via um fascinante estado de alegria que me fazia rir também. E em seus olhos meu reflexo parecia mais feliz.
            Nos tornamos amigos mais próximos, mantive minha admirações e desejos, porém , nunca as expus. Passei então, a analisar essa relação entre nossa convivência e meus sentimentos. Percebi que na mesma proporção em que ficávamos juntos, se tornava mais intenso meu desejo. Quando não nos víamos a falta que me fazia, era a mesma da que provoca a ausência de um amigo. De um modo complexo, eu naturalmente me aproximei e me interessei por uma mulher, para que também de modo natural, eu esquecesse fragmentos de uma antigo amor que insistiam em continuar me machucando. E amor não houve nesse caso. Foi somente a convivência. Tornei nossa amizade uma fantasia, confundi as relações. Mas me fortaleci, e hoje, passado pouco tempo, eu penso e raciocino. Caminho rumo a cura para o amor. Rumo a uma vida só minha, sem dor e decepções.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

As vozes do século XXI


           Em relação a música, nada mais sou do que um simples ouvinte, mas o amor que tenho pela exuberância dessa arte me torna um apaixonado. Todos nós costumamos ouvir canções que nos agradem, cantores e estilos variados. A música tem como função vital o entretenimento, mas cada melodia assume para cada um que a ouve um efeito emocional muito grande e diverso. O cenário musical hoje, é sem dúvida um dos maiores mercados existentes. Novos rostos surgem a todo momento, rostos conhecidos estão sujeitos a oscilações na carreira, e ainda há aqueles que se aventuram em outras áreas.
            Alguns fazem sua carreira alcançar um sucesso de medidas inquestionáveis. Já outros vivem, a sombra do êxito de uma única canção. Muitos na tentativa de atuar em novos ramos, acabem por se perder no caminho, e não conseguem brilhar em nada. Por outro lado há aqueles que são sucesso em tudo o que se propõem a fazer. Na busca pela fama e reconhecimento, alguns ficam devendo talento. Outros são donos de vozes impactantes. Particularmente costumo dividir os musicistas em dois grupos, artistas e cantores. Artistas não tem um grande talento vocal, são esse que formam a maioria da música atual, são feitos de marketing e imagem. Já cantores são aqueles que tem voz suficiente para encarar ao vivo uma platéia com milhares de pessoas.  Conseguem brincar com o direito de cantar, atingem notas incríveis e agradam os ouvidos. E em especial duas vozes marcaram o século XXI na minha opinião.
            Duas mulheres, brancas, metidas em muita confusão e polêmica, donas de vozes que calam estádios lotados. Duas cantoras marcadas pela excentricidade da alma de um grande artista. Declamam poesias com ritmos e melodias. Entre si enormes diferenças. Suas carreiras se deram de maneiras diferentes. Atingiram o ápice em diferentes épocas. Destaques pela qualidade vocal, elas são idolatradas e tidas como duas das maiores vozes da história. E não é preciso dizer que ocupam quase toda a memória do meu ipod.
            Christina Aguilera. Surgiu e construiu sua carreira em meio a concorrência com Britney Spears. No meio artístico desde nova, Xtina, como é chamada pelos fãs e amigos, teve muito tempo para moldar sua carreira, mas de cara mostrou o que tinha para oferecer. A cada CD lançado ela soube se renovar, assumindo um estilos mais eletrônico, sempre soube reservar espaço para mostrar sua potencial vocal. Cantando ritmos e estilos diferentes a cada fase, mostrou toda sua versatilidade musical. As mudanças físicas sempre foram um prato cheio para os paparazzi. Mãe. Ela já foi até mesmo presa. Todas as confusões e brigas não ofuscaram sua carreira. Alcançando notas incríveis, suas performances ao vivo sempre foram elogiadas pelos críticas mais conceituados.
Estou fazendo coisas que normalmente não faria, meu antigo eu se foi, me sinto nova em folha, e se você não gosta disso, foda-se!” (Christina Aguilera)
E... Amy Winehouse. A menina branca com voz de negra. Morreu precocemente aos vinte e sete anos, deixando uma legião de fãs na eterna saudade. O lançamento de seu segundo álbum (Back To Black), a despertou para a fama internacional. Criticada pelo uso abusivo de drogas e álcool, as várias internações às quais foi submetida não surtiam efeito. Amy fez até mesmo a música “Rehab”, contando sua oposição as rehabilitações que lhe forçavam. A fragilidade de seu corpo não prejudicou a singularidade de sua voz. Suas apresentações ao vivo eram marcadas por bebidas, erros e quedas. Amy Winehouse venceu a morte e fez sucesso com seu álbum póstumo. A beleza da simplicidade de suas canções demos tinham o poder de tocar a alma. Um gênio da música, Amy tinha a alma incompreendida de um artista.
Pessoas loucas como eu não vivem muito mas vivem como querem.” (Amy Winehouse)

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Quando saio sem mim


                 Play! A batida instantâneamente começa a invadir a minha cabeça. Calço os tênis e me vou. Não sei o que me aconteceu hoje. Simplesmente resolvi andar. Sair por aí. Defini um caminho e sai caminhando. Na mente o alívio dos pensamentos abafados pela música. Me sinto forte e leve. O sol ainda está alto, mas pretendo que quando eu voltar ele já esteja mais brilhando. Me faz bem esquecer de tudo enquanto exijo esforço apenas de meu corpo físico.
            Já andando comecei a pensar na junção dos isolados mundos do que vejo e ouço. Passo a prestar atenção ao que estou presenciando. Os carros passam sem fazer barulho. As pessoas movimentam os lábios mas não há palavras. É uma sensação de se tornar espectador da minha própria vida. Coisas que estavam escondidas no meu dia-a-dia se mostram deslumbrantes agora. Cada canção uma sensação. De Pitty a Aguilera, estilos, ritmos e vozes variadas. Algumas vezes me dá vontade de cantar junto, outras, apenas quero ouvir a letra.
              Chego enfim a avenida pela qual passei todos os dias durante seis anos. Mas hoje ela está diferente. A eterna imensidão de quinhentos metros está deserta, exceto pela presença das flores e aves, que se encontram em toda a rua. Parece uma pintura. Ainda mais, pelo sol poente que me atinge de perfil, fazendo com que minha sombra alcance a outra margem da rua. Sempre esteve tudo aqui, do jeito que está agora, mas foi preciso que eu estivesse vazio de ideias para pensar nessa beleza do cotidiano.