Sinto-me
tão patético falando em crescer. Um adolescente querendo se colocar como
maduro. Mas é a realidade que eu não esperava viver cedo assim. Em questão de
um mês vi minha vida mudar muito. Durante as tardes que eu costumava comer
pipoca e outras besteiras enquanto assistia à Sessão da Tarde, hoje, trabalho.
Não que seja um trabalho escravo, como eu devo descrevê-lo em minhas conversas,
mas é uma ocupação, um compromisso e, mais tarefas. Enquanto milhares de
pessoas trabalham a cerca de vinte anos, eu me vanglorio por estar há longas
quatro semanas no meu emprego.
Vejo-me
tão mais importante nas conversas que tenho. Acreditem vocês que até mesmo
depósitos e, outros serviços de banco eu aprendi a fazer. Agora sei como se
manda algo pelo correio. Enfim, muitas coisas novas, acabei fazendo. Mas principalmente,
aprendi a lidar com pessoas. Estou gradualmente superando a timidez que me
impedia de opinar. Sei como interagir num grupo de novas pessoas, aprendo com
elas. Aprendi a tomar a iniciativa, não se pode esperar que em toda situação
alguém venha lhe ajudar, explicar como se deve fazer cada coisa, o modo certo
de fazer algo, só a experiência te ensina.
Dia
desses, me pediram para que eu fosse ao banco fazer pagamentos e depósitos.
Percebi então que a pessoa toda moderna que eu me julgava ser, era na verdade
um dos maiores colonos, com todo o respeito. Minhas dificuldades começaram na
entrada, não sabia para onde ir. Descobri que os pagamentos deveriam ser feitos
no andar superior. Subi na certeza de que dali em diante seria moleza. Porém,
nem mesmo a senha eu consegui tirar sozinho, foi preciso que um guarda
praticamente desenhasse o método para eu entender que o monitor era de touchscreen.
Agora só faltava saber em qual tipo de caixa eu deveria esperar a minha vez,
optei por aquele no qual havia um conhecido sentado. Tudo corria bem até que as
senhas da série C (assim como a minha) pulassem para a série P, e lá fui eu
tirar satisfações. Para fechar a tarde, na saída troquei de porta, e
simplesmente fiquei forçando o vidro da agência.
Nesse
prazo de um mês também me decepcionei. Descobri que a perfeita garota que eu
amava, na verdade era aproximadamente uma “Mulher da Vida”. Enfim, eram tantos
amantes quanto sua energia pudesse aguentar. Alguns amigos da mesma forma não
atingiram minhas expectativas. Mas no fim acabei rindo de toda a palhaçada que
aconteceu. Durante um recreio essa garota da qual eu gostava veio pedindo que
eu lhe enviasse as fotos que supostamente havia tirado dela com um de seus
amantes, essa suspeita foi fomentada por uma amiga que poucos dias depois
estava me mandando beijos no Facebook. Agora vejam bem, minha vida corrida
desse jeito e a pessoa acha que eu ainda tenho tempo para cuidar da vida chula
dela. E cá entre nós, com três ou quatro ao mesmo tempo, alguém haveria de
comentar.
Comecei
a desfrutar das coisas que o dinheiro proporciona. De leve sinto a gosto da
autossuficiência financeira. Pude comprar as primeiras coisas com o meu
dinheiro. Vi também que o valor que antes eu achava extraordinário, nem é tanto
assim. Reservei-me o direito de investir em mim, física e espiritualmente. E
quem diria, já estou a busca de um novo emprego, não que esteja descontente com
minha situação atual, mas este novo emprego veio atrás de mim. E caso eu
consiga, o que eu torço muito para que aconteça, tudo isso que acabei de
escrever se acentua. Será tudo mais intenso, com maiores frutos e aprendizagens.
Mas nesse um mês, o que eu aprendi e melhorei me faz ter a certeza de que estou
pronto para qualquer coisa.
De
fato, como diziam as amigas da minha mãe, “Nossa! Eu cresci”. E com apenas
quinze anos acredito que acumulei uma imensa bagagem. Sei que penso diferente e
a frente de meus amigos, mas é isso que me torna eu. Tenho a seriedade de um
adulto e a espontaneidade de um garotinho. Tenho meus conhecimentos e solto
pérolas sem cabimento. Aprendi que um amor só é eterno enquanto você o guardar.
Decepções te mostram toda a verdade que você já sabia. Decidi que a minha vida
segue sozinha por trilhos que ainda não sei aonde vão me levar, mas vou ir, até
aqui nada deu errado, e caso dê é possível voltar. E a vida é isso,
reviravolta, altos e baixos, tudo são fases nada é para sempre. Só me interessa
aquilo que eu penso, e o resto que se exploda.

