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Ficou?
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Ficou.
Uma pergunta e sua respectiva
resposta. Juntas, somente duas palavras, mas uma importância inexplicável. Ao
ouvir essa palavra como resposta, várias coisas mudaram em mim. Uma frieza
nunca antes por mim sentida me invadiu. Emoções diversas me confundiram. E a magia
foi-se embora. Em mim predominava o ódio, naquele momento disfarçado em
atitudes tão indiferentes que não pareciam minhas. E talvez naquele momento não
fosse eu ali, somente a presença ausente de um corpo vazio de reações emotivas.
Me reservei o tempo de pensar. Parei
e observei. Estudei meus passos até aquele momento. Me vesti da face mais feliz
para esconder o coração mais despedaçado. Por muitos campos viajaram meus pensamentos.
Alcançaram ideias minhas que nem eu mesmo conhecia. Imaginei soluções e seus
possíveis finais. Mas apesar de todos os esforços, me vi diante de um problema
confusamente contraditório. Não havia problema
algum naquela história, era apenas a realidade que eu já suspeitava, só
que agora apresentada em fatos concretos, e atos vividos.
Ao menos agora eu sabia o que
realmente acontecia, não que antes não soubesse, mas agora eu tinha a certeza
de que queria entender e encarar essa verdade. Muitas vezes você não será o
suficiente para entender os seus problemas. E nem mesmo aquele amigo de
infância saberá lhe dar o melhor conselho. Por uma jogada de sorte ou ironia do
destino, a minha ajuda estava literalmente ao meu lado o tempo todo. Era a
pessoa que muitos evitariam baseando-se na primeira impressão, só porque ela
tem um piercing na boca, um no nariz, e seu cabelo muda de cor a cada estação.
Mas ela traz na cabeça a inteligência de um monge, no coração a mais verdadeira
amizade e, consigo o mais valioso e sábio conselho.
Li, vi e pensei em cada momento de
nossa história. Nas noites que passei querendo-a, vendo na lua a perfeição do
seu rosto. Sentia na boca o gosto do seu beijo. E conhecia no toque a maciez da
pele do seu corpo. Não havia um detalhe de seu corpo que eu não tivesse total
conhecimento. Seu temperamento eu conhecia como se fosse uma extensão de meu
ser. Muitos foram os momentos de felicidade que passamos juntos. A pureza de
uma amor precoce. Os desejos inocentes declarados por meio de cartas coloridas,
com desenhos e letras quase ilegíveis. Mas crescemos, sempre estivemos lado a lado, mas
nem sempre como amantes.
Sempre
fui do tipo de homem romântico, me deixei leva pela magia do primeiro amor, e
tinha medo de acabar com essa fantasia. Poucas não foram as vezes que declarei
meu amor à ti, fosse por meio de escritos, ditos ou juras. Com muitas idas e
vindas sempre me mantive ao seu lado. Ouvi teus mais graves problemas, tuas
mais tolas histórias, e te dei os mais sinceros e corretos conselhos. Eu sempre
estive aqui. Tornei-me para ti um porto-seguro, um ombro amigo, aquele no qual
sempre pode confiar e com o qual sempre pode contar. Ao longo dessa convivência
tornei-te um vício, desejei-te mais do que tudo. À ti havia guardado o amor.
Reservei-lhe as mais belas lembranças, e o pensamento de cada dia dos últimos
oito anos.
Me prolongo demais nesse exato
momento. Mas confesso que não é fácil por um ponto final em uma longa história
como essa. O fim de um caso não é rápido, deixa marcas e receios. Dentro de
poucos dias mudei, me preparei para o momento no qual eu acabaria com a
expectativa de um final feliz. Minha história não acaba aqui, por isso, não
cabe agora um “...e foram felizes para sempre.”. Como é da natureza de ser
humano, temos na vida as fases de nosso desenvolvimento pessoal, divididas pela
mudança de pensamento e interesses. Encerro por aqui a minha fase de louco
apaixonado. Trago para a minha poesia a vida, as cores, a música e gargalhadas.
O amor continuará a marcar minhas história, mas agora me privarei de
sofrimentos. Tirarei você do papel de protagonista, e serei eu o centro de minhas
atenções. Serei feliz após esse doído e definitivo “ADEUS!”.















