Noite dessas, assim do nada, espantado acordei, aquilo
que parecia passado, estava tão vivo no meu sonho. Tu estavas lá, apenas de
relance, mas marcante. Como após tanto tempo, voltaste aos mais íntimos dos
meus pensamentos? De que modo permaneceste no meu inconsciente? Foi diferente
acordar pensando em você, porém, sabe-se lá o porquê, um tímido sorriso de
canto teimava em enfeitar meu rosto. Desde então, seja qual for a razão, penso
em ti.
Resolvi voltar um pouco no tempo. Foram muitas as coisas
que percebi. Algumas coincidências, ou não, me surpreenderam, e o que mais me
intriga, uma feliz coceira tomava conta de mim. No meio da minha forçada
tentativa de fingir nem se lembrar da sua existência, percebi que tudo que está
aqui escrito, foi feito em cima de um sentimento eternamente duradouro que
tenho por você. Mais uma vez todos os meus esforços em esquecer-te foram em
vão, e eis aqui mais um capítulo dessa tão previsível e viciante história.
“Autotietei” meu acervo. Grata surpresa foi ver que a
inspiração para todos aqueles textos cheios de sentimentalismo e, vazios de
utilidade, era você. Era você o tempo todo, sal presença, sua ausência, seu
toque, seu corpo, era simples e completamente você. Não escrevi poemas,
romances, nada disso, escrevi você, eu, escrevi nós. Triste foi esse estéril
tempo em que resolvi usar lacunas em branco no lugar da tua imagem.
Sorrateiramente, arrependimentos surgiam calmos como a
água do mais belo riacho. Seria muito fácil afinal, se eu evitasse os erros, ao
invés, de sofrer pelos seus estragos. Torturante é a sensação de querer refazer
meus passos assim que deito a cabeça no travesseiro. A sensação de inutilidade
e tolice dominava as minhas ideias. Pensei em tudo que deveria e queria ter
dito ou feito, mas é tarde demais.
Queria eu, ter te comprado flores, as mais lindas e
cheirosas, para alegrar teus dias. Devia ter segurado a tua mão, enquanto
caminhávamos pela praça num sábado à tarde, enquanto fazia-te sorrir. Ter te
dado todo o meu tempo, apenas para deitar-te em meu corpo, e te amar pela
infinidade do momento. Deveria ter te levado para dançar, distrair-te enquanto
mantinha teu quente corpo no espaço dos meus braços.
Vi tarde demais, tudo o que devia ter feito para te
manter junto a mim. Percebi que deveria ter insistido em nós, acreditar naquele
calor que tomava conta de nós. Agora, só me resta imaginar, e desejar nossos
corpos juntos outra vez, nosso suor excitante. Quero teu sorriso ao meu lado
cedo da manhã, tua nudez junto a minha, no mais tarde marcar do ponteiro.
Simplesmente te quero, para ser feliz, para fazer dar certo, para fazer eterno
aquilo que viverá para sempre.

