quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

As vozes do século XXI


           Em relação a música, nada mais sou do que um simples ouvinte, mas o amor que tenho pela exuberância dessa arte me torna um apaixonado. Todos nós costumamos ouvir canções que nos agradem, cantores e estilos variados. A música tem como função vital o entretenimento, mas cada melodia assume para cada um que a ouve um efeito emocional muito grande e diverso. O cenário musical hoje, é sem dúvida um dos maiores mercados existentes. Novos rostos surgem a todo momento, rostos conhecidos estão sujeitos a oscilações na carreira, e ainda há aqueles que se aventuram em outras áreas.
            Alguns fazem sua carreira alcançar um sucesso de medidas inquestionáveis. Já outros vivem, a sombra do êxito de uma única canção. Muitos na tentativa de atuar em novos ramos, acabem por se perder no caminho, e não conseguem brilhar em nada. Por outro lado há aqueles que são sucesso em tudo o que se propõem a fazer. Na busca pela fama e reconhecimento, alguns ficam devendo talento. Outros são donos de vozes impactantes. Particularmente costumo dividir os musicistas em dois grupos, artistas e cantores. Artistas não tem um grande talento vocal, são esse que formam a maioria da música atual, são feitos de marketing e imagem. Já cantores são aqueles que tem voz suficiente para encarar ao vivo uma platéia com milhares de pessoas.  Conseguem brincar com o direito de cantar, atingem notas incríveis e agradam os ouvidos. E em especial duas vozes marcaram o século XXI na minha opinião.
            Duas mulheres, brancas, metidas em muita confusão e polêmica, donas de vozes que calam estádios lotados. Duas cantoras marcadas pela excentricidade da alma de um grande artista. Declamam poesias com ritmos e melodias. Entre si enormes diferenças. Suas carreiras se deram de maneiras diferentes. Atingiram o ápice em diferentes épocas. Destaques pela qualidade vocal, elas são idolatradas e tidas como duas das maiores vozes da história. E não é preciso dizer que ocupam quase toda a memória do meu ipod.
            Christina Aguilera. Surgiu e construiu sua carreira em meio a concorrência com Britney Spears. No meio artístico desde nova, Xtina, como é chamada pelos fãs e amigos, teve muito tempo para moldar sua carreira, mas de cara mostrou o que tinha para oferecer. A cada CD lançado ela soube se renovar, assumindo um estilos mais eletrônico, sempre soube reservar espaço para mostrar sua potencial vocal. Cantando ritmos e estilos diferentes a cada fase, mostrou toda sua versatilidade musical. As mudanças físicas sempre foram um prato cheio para os paparazzi. Mãe. Ela já foi até mesmo presa. Todas as confusões e brigas não ofuscaram sua carreira. Alcançando notas incríveis, suas performances ao vivo sempre foram elogiadas pelos críticas mais conceituados.
Estou fazendo coisas que normalmente não faria, meu antigo eu se foi, me sinto nova em folha, e se você não gosta disso, foda-se!” (Christina Aguilera)
E... Amy Winehouse. A menina branca com voz de negra. Morreu precocemente aos vinte e sete anos, deixando uma legião de fãs na eterna saudade. O lançamento de seu segundo álbum (Back To Black), a despertou para a fama internacional. Criticada pelo uso abusivo de drogas e álcool, as várias internações às quais foi submetida não surtiam efeito. Amy fez até mesmo a música “Rehab”, contando sua oposição as rehabilitações que lhe forçavam. A fragilidade de seu corpo não prejudicou a singularidade de sua voz. Suas apresentações ao vivo eram marcadas por bebidas, erros e quedas. Amy Winehouse venceu a morte e fez sucesso com seu álbum póstumo. A beleza da simplicidade de suas canções demos tinham o poder de tocar a alma. Um gênio da música, Amy tinha a alma incompreendida de um artista.
Pessoas loucas como eu não vivem muito mas vivem como querem.” (Amy Winehouse)

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Quando saio sem mim


                 Play! A batida instantâneamente começa a invadir a minha cabeça. Calço os tênis e me vou. Não sei o que me aconteceu hoje. Simplesmente resolvi andar. Sair por aí. Defini um caminho e sai caminhando. Na mente o alívio dos pensamentos abafados pela música. Me sinto forte e leve. O sol ainda está alto, mas pretendo que quando eu voltar ele já esteja mais brilhando. Me faz bem esquecer de tudo enquanto exijo esforço apenas de meu corpo físico.
            Já andando comecei a pensar na junção dos isolados mundos do que vejo e ouço. Passo a prestar atenção ao que estou presenciando. Os carros passam sem fazer barulho. As pessoas movimentam os lábios mas não há palavras. É uma sensação de se tornar espectador da minha própria vida. Coisas que estavam escondidas no meu dia-a-dia se mostram deslumbrantes agora. Cada canção uma sensação. De Pitty a Aguilera, estilos, ritmos e vozes variadas. Algumas vezes me dá vontade de cantar junto, outras, apenas quero ouvir a letra.
              Chego enfim a avenida pela qual passei todos os dias durante seis anos. Mas hoje ela está diferente. A eterna imensidão de quinhentos metros está deserta, exceto pela presença das flores e aves, que se encontram em toda a rua. Parece uma pintura. Ainda mais, pelo sol poente que me atinge de perfil, fazendo com que minha sombra alcance a outra margem da rua. Sempre esteve tudo aqui, do jeito que está agora, mas foi preciso que eu estivesse vazio de ideias para pensar nessa beleza do cotidiano.