Oito
anos, não mais. Apenas duas crianças. Em três dias convivendo juntos,
vivenciaram as mais intensas emoções. Ele era novato no colégio, só tinha um
amigo. Ela sempre estudou ali, enturmada e autoritária. No primeiro dia viram
que estavam na mesma sala, quando na hora da chamada, fora dito o nome dele,
ela o olhou rapidamente. Quando o nome dela foi chamado, ele a olhou por muito
tempo, muito tempo mesmo. Chega a hora do recreio, ele se dirige a ela e, faz
gracinha. Ela não gosta, e a briga está armada, pelo dia inteiro, até que são
então parados pela professora.
Segundo
dia, os olhares nem ao menos se buscam, as palavras não são ditas, está tudo
perdido, inimigos mortais, até que soe o sinal da saída. No terceiro dia, logo
no início da manhã, ele a procura e diz:
- Me desculpe. É que eu...
eu...
- Eu também gosto e você. –
interrompe ela, com toda sua atitude.
Mal
eles sabiam que estavam namorando, passaram o dia se olhando, sorrindo e
acenando um para o outro. Todo esse amor inocente durou dois anos. Dois anos
cheios de carinho, amizade, cartinhas, beijocas e alegria. Tudo acaba quando
ela resolve tentar outra pessoa.
Um ano
depois pinta a primeira viagem de colégio deles juntos, é curta, e na ida nem
se falam. Mas na volta ela está carente, pede aconchego nos ombros dele, e se
sente segura de mãos dadas. Ao chegarem de volta, nada muda, são apenas amigos. E
ele está bagunçado, não sabe o que fazer, e tem sua primeira desilusão amorosa.
Durante
quase dois anos, ele vê a menina que ama mudar. Ela vai se tornando algo que
ele não conhecia. Ela já não ama mais ninguém. Não é de ninguém. Ela passa a
aproveitar a vida. Cada dia era um dia. Cada dia uma nova pessoa, um novo amor.
Já se tornara mal falada, e ele ainda estava olhando-a, e amando-a cada vez
mais. Sentia sua falta.
Pouco
tempo depois, entre brincadeiras e bobeiras, eles estavam juntos de novo. Agora
sim ocorreu o primeiro beijo e verdade, daqueles de desentupir pia. Estavam felizes.
Se conheciam. Passavam o recreio inteiro abraçados. Ele beijava seu pescoço,
ela se arrepiava toda. Seus amigos nessa idade, não entendiam o amor, então
sempre que havia um beijo, uma multidão estava lá para vê-lo. Num desses beijos
assistidos, ele se incomoda e sai. Não foi o fim, ainda.
Ela
sempre foi muito ciumenta. Não aguentou quando viu ele dançando de brincadeira
com a sua ex. Novamente brigados e separados. Ele resolveu ficar na sua, não ia
atrás de mais ninguém, seu coração já estava quebrado, e tinha medo de amar
novamente. Ela, ao que tudo parecia, não havia se magoado. Logo engatou uma
relação, e justo com um cara mais velho. Essa relação não durou muito. Mas a
próxima... ela dura até hoje, são aproximadamente dezoito meses.
No
decorrer desse tempo, surge outra viagem. Os dois vão. Mal se falam, apenas
amigos de poucas palavras. Ele sabe aproveitar da carência dela. Enfim, ela
briga com sua melhor amiga, e volta novamente aconchegada nos braços dele,
falando palavras ao pé do ouvido. A declaração é mutua. Ao chegar cada um vai
para um lado, eles mantém um certo contato além da amizade, mas logo acaba.
Hoje eles ainda estudam
juntos, estão no ensino médio. Ela ainda está nesses dezoito meses de namoro.
Ele ainda a ama, e escreve este amor. Escreve por amá-la demais,
por querer só mais um beijo, e só mais uma chance para fazê-la feliz, e ser
feliz.

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