domingo, 6 de novembro de 2011

A solidão de estar sozinho


Alguém aí? Somente o eco da minha voz responde. Não. Estou sozinho. De novo. Peraí, foi você quem insistiu para que todo mundo fosse passear. É verdade. Mas eu não queria. Talvez só um pouco. Mas já passou. E ninguém voltou ainda. Faz somente uma hora que todo mundo saiu, e a paz e o silêncio começam a confundir minha cabeça. É uma coisa de querer um minuto de silêncio, só para mim, ninguém me pedindo favores, vindo tirar satisfação, ter o volume da tv quase no minimo, ter calma. Mas ao mesmo tempo a solidão me assusta, o silencio me perturba, e os poucos barulhos que existem, agora são amedontradores.
Falando assim, até parece que me abandonaram em um mundo desconhecido. Mas se trata apenas da minha casa, a minha sala de estar. Todas as minhas coisas estão ao meu redor. Mas não há nada além de mim encolhido no canto. Com medo da minha sombra, que se confunde com o mofo na parede. A realidade muda. E esse meu minuto já parece ano. O tempo toma outra proporção. E ainda faltam três dias para todo mundo voltar.
O sol está alto lá fora. Mas eu nem ao menos abro a cortina. Me aprisiono e, me isolo dentro das quatro paredes que demarcam meu mundo. Daqui não vou sair, e aqui nada vai entrar. Serei somente eu. Acompanhado de meus medos, manias e sentimentos. Tento me enterter com um livro, mas o silêncio continua me perturbando, não consigo me concentrar. Cadê minha mãe e meu irmão brigando nessas horas? Ah! Lembrei, eu os convenci a ir viajar.
Na sala meu estojo de cd’s e meu cd player estão esquecidos. Isso. Uma música anima o ambiente. Ao menos até a terceira faixa, quando a música ou me dá medo, me deixa com saudade, ou é muita romântica para um ser que se encontrar em total e completa solidão. As pessoas me ligam pedindo se estou bem. Isso me causa um efeito contraditório. Fico feliz em saber que se preocupam e lembram de mim. Mas por outro lado, estão pensando o que? Acham que não sobrevivo a três dias sozinho? Mas... será que eu consigo?
A rotina começa a ficar estranha, como se não desse tempo para fazer tudo. Sem falar na comida apressada que faço, se é que o que faço merece ser chamado de comida. Tudo parece estar em seu lugar. Só eu que estou perdido dentro de casa. A televisão não tem graça. O computador parece não me oferecer interatividade. Jogar videogame por quê? Não tenho ninguém para quem contar minhas vitórias. Um sinal de vida vem em forma de uivo. Poisé, eu tenho um cachorro. Ele está com fome. E eu tenho que ir lá fora alimenta-lo. Ir lá fora me parece tçao ameassador. Mas eu vou. E tudo ocorre bem. A operação foi um sucesso.
Me sento em frente a televisão. Começa o Jornal Nacional. E quando eu vejo já estou boçejando. Sinais da monotonia de estar sozinho e não querer ninguém por perto. Decido ir dormir. Mas é automático, a cada quinze minutos me levanto. Nem dormir eu consigo sozinho. Acordo finalmente me arrumo para o colégio. E nem um som é emitido. Fecho a casa e vou para a aula. Mas logo estou de volta. Devolta a minha solidão enlouquecedora. Tomo meu banho ouvindo televisão, somente os jornais do meio-dia. Almoço por volta das duas horas.
Essa já não é mais a minha vida. Não estou vivendo, estou sobrevivendo. Queria todo mundo de volta. Mas por quanto tempo? Sei que logo precisarei do meu minuto de descanço. Talvez eu deva sair, respirar, aliviar... sei lá. É mais fácil dar uma pausa, do que afastar as pessoas de mim. E o tempo também é menor. É preciso ter a certeza de que ao chegar em casa todo mundo estará lá. E você não ficará na solidão de estar de sozinho. Você terá ao seu lado tudo o que precisa, para que sua vida seja normal, louca e estressante. Até tudo acontecer de novo. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário